Já está mais do que provado que muita gente confunde realidade com ficção! No post anterior falo sobre isso, sobre casos de pessoas que escolhem sua profissão se baseando nos estereótipos de filmes, séries e novelas.

Alguns especialistas defendem que tudo na televisão é ficção, porque é tudo pensado, montado, como um show! Há quem discorde. Mas o fato é que as novelas, as grandes responsáveis pela confusão dos telespectadores, são ficção, mesmo que falem de assuntos reais.

Todos nós já ouvimos histórias de pessoas que confundiram personagens com pessoas reais. Alguns se apaixonam pelo personagem ou agem como ele, pensam como ele, se identificam tanto, que acreditam que aquele personagem realmente existe. Ou então pegam raiva de um personagem e acreditam que suas atitudes são reais, e que o ator que o interpreta é responsável pela sua maldade e merece ser punido. É o caso de pessoas que agridem ou xingam atores nas ruas porque levam para a vida real a aversão que sentem na ficção.

Estive pensando nisso hoje porque descobri que o blog da Luciana (http://especial.viveravida.globo.com/sonhos-de-luciana/), da novela Viver a Vida, que apareceu em um capítulo esta semana, realmente existe!!!! E é escrito por alguém como se fosse a própria Luciana. Ao ler os comentários eu vi que todos estavam deixando recados para a Luciana e não para a Alinne Moraes ou para o autor da novela. Mas a Luciana não existe, certo? Muito provavelmente nem é a atriz quem escreve os textos. Então porque alguém deixa recados como esses:

“Oi Lu, Coragem minha amiga!!!! Forca e dedicacao, essas palavras representam vc. Adorei sei Blog!!! A Mia teve uma excelente ideia, nao e? Beijos.”

“Parabéns Lú vc está no caminho certo, é uma mulher muito forte, um exemplo para todos!!!!!!
Dê a receita de como ser assim!!!!!!
Beijos!!!!!!!!!!!!!!”

“Você vai sair dessa LÚ!!
Pense sempre que tem pessoas que te ama perto de vc que quer o seu bem!!!
Sempre pense no melhor para vc ! Que vc vai conseguir sair dessa.
bjaoooo Loana Itatiba”

Claro que a personagem representa uma doença que existe de verdade e uma história que pode ser igual a de outras pessoas, mas a história dela mesma não existe. No entanto, as pessoas aceitam entrar nesse mundo fictício e participar dele como se ele fosse real.

Isso me fez pensar também nas novas mídias. Parece que as pessoas tem sentido uma necessidade maior de fugir da realidade ultimamente. A internet que revolucionou a comunicação no mundo aponta e confirma essa tendência. Quantas pessoas hoje não usam a internet para ser como elas queriam ser e não como elas são? Quantas pessoas criam avatares para se comunicar e fazer o que elas sempre tiveram vontade, mas não coragem?

Olha só o sucesso de ferramentas como o Second Life e as redes sociais, que permitem que você seja quem você quiser. Reparem em como existem cada vez mais perfis fakes no Orkut e em outras redes. Pessoas que preferem se comunicar com outro nome, outra personalidade. Pessoas que às vezes nem se comunicam na vida real, e que só se sentem à vontade na vida virtual.

Algumas pessoas inventam novas personalidades, outras fingem ser alguém que existe. No Orkut se você procurar usuários com os nomes de famosos o que mais tem são perfis fakes, que fingem ser o ator de Harry Potter, os personagens de High School Musical, um cantor ou cantora, atores, enfim, tem de tudo. Tem mesmo!!!!

E qual é a graça de viver em um mundo virtual? Não pretendo concluir nada, até porque acho que não tem uma resposta certa. Acho que cada um se aproveita do mundo virtual por motivos diferentes, e acho também que nem é preciso da internet para isso. Tem gente que vive em mundos diferentes, em realidades diferentes, com personalidades diferentes, sem precisar de um computador.  

Pode ser muito saudável interagir nas redes sociais e outras novas ferramentas de comunicação, sendo diferente daquilo que você é, ou acompanhando a vida de pessoas que não existem e se inspirando nelas. Mas enquanto você souber separar o que é real e o que não é. Muita gente se perde e acaba vivendo uma vida que não existe.

Lembro de uma personagem de Caminho das Índias, a Valquíria que era secretária do Ramiro na novela. Ela vivia em outro mundo. Passava o dia todo no jogo Second Life, e tudo o que ela queria para ela, ela aplicava em seu avatar. As roupas que ela tinha vontade de ter ela colocava no seu avatar no jogo ao invés de comprar para ela mesma vestir. Seus namorados eram virtuais e ela realmente se envolvia e se apaixonava por eles. Ela acreditava naquele mundo, mas de uma forma que esquecia da realidade.

Talvez para quem vive uma realidade feliz ou pelo menos bem resolvida, isso tudo não faça muito sentido. Mas para quem não gosta de ser como é, não se encaixa nos lugares que conhece, não gosta de rotina, não está satisfeito de alguma forma com a realidade, a ficção é uma forma de escapar desse mundo. De viver em um mundo onde você pode ser uma pessoa hoje e outra amanhã, ou até ser apenas você mesmo (o que às vezes é o mais difícil de ser no mundo real).

E vocês também gostam de viver entre o real e o virtual? Vocês se confundem entre um e outro?