Um lugar calmo. O único som vinha dos pequenos animais que cantavam alegres e da água que escorria suavemente entre a montanha iluminada e caprichosamente decorada com flores rosas e amarelas.
Nesse lugar não havia pessoas, não havia tarefas, obrigações ou cobranças. Em um casinha grande, porém minúscula perto da imensidão à sua volta, estava o lugar perfeito para se morar. Mas ninguém morava ali.
Havia apenas uma garota ansiosa sentada em uma mesa de proporções jamais vistas, de tal modo que não se podia ver onde ela terminava. Lá essa menina alegre e sorridente pensava. Olhava para algo da cor de uma nuvem, que ela chamava de papel. Mas não havia nada lá. Ela olhava repetidamente como se esperasse que algo saísse de lá a qualquer instante.
Sua ansiedade contrastava com a tranquilidade daquele lugar. Mas sua animação contagiava até o que não era vivo. Seu ritmo, suas roupas, seu modo de gesticular, sua voz, e principalmente sua imaginação davam vida aquele local que enganava perfeitamente ao tentar parecer naturalmente vivo.
A garota estava lá por um motivo. Havia uma razão, ela ainda não sabia, mas havia.
Em certo momento, ela se levantou da cadeira, foi até a porta imponente da grande casa e olhou para a inacreditável beleza da natureza que a cercava. Viu tudo, cada detalhe. Deve ter ficado horas ali, o que para o tamanho de sua ansiedade era como uma eternidade.
Voltou para sua mesa desproporcional, sentou na cadeira e olhou para o papel. De repente o ritmo de tudo que estava à sua volta, deu lugar a um ritmo louco, desconhecido, incrivelmente rápido.
Assustada, procurou a causa dessa mudança. Reparou então que sua respiração estava forte e parou para apreciá-la. Percebeu, com certo esforço, que o ritmo acelerado vinha do seu peito. Era o seu coração.
Sua mente já comumente ansiosa se transformou em uma máquina maluca de ideias, desejos, imagens, sensações, sentimentos. Subitamente, ela pegou um lápis e começou a por tudo no papel. Sentiu como se colocasse sua alma ali. Os ritmos iam aos poucos saindo dos seus batimentos cardíacos e migrando para o papel. Sua ansiedade se acalmava.
Escreveu por um tempo incontável na realidade dos relógios. Então, ela finalmente entendeu. Estava se libertando!
Depois de tudo no papel, ela não estava mais lá, na casa perfeita. Estava em um outro lugar que só sua imaginação sabe chegar!!!!!!