por Bruna Chieco

Ao acordar em um dia da semana normal ligo a televisão na Globo, e como sempre está passando aquele jornal matinal. Entre tantas outras notícias, uma se destacou por ter sido algo que nunca tinha vista ser abordado em um telejornal. Uma senhorinha desajeitada de quase 50 anos soltando a voz em um programa britanico fez todo mundo ficar de quixo caído. Todo mundo mesmo!

Sim, Susan Boyle é o assunto de hoje. A mulher dona de um incrível “gogó” que apareceu no Britain´s Got Talent, um programa com a mesma proposta do nosso Ídolos. Ao subir no palco, a escosesa Susan provocou risadas e olhares maliciosos pelo simples fato de não ter a melhor aparência. Os jurados a desdenharam, e a plateia riu descaradamente dos trejeitos da candidata e do fato de ter revelado que seu sonho era ser igual à conceituada cantora Elaine Paige. Depois do incidente no qual escosesa aparentemente nem demonstrou se ababaloalar, começa o show. Sunsan Boyle solta uma linda voz cantando a música I Dreamed a Dream, do musical Les Miserables, surpreendendo a todos; jurados, plateia, apresentadores, jornalistas, e todo o mundo.

O vídeo acima mostra em detalhes o que acabei de descrever. Incrível como do dia para a noite a mulher que tinha sido esnobada chegou ao topo, aparecendo em diversos notíciarios de diferentes países. Seu nome pode ser encontrado na famosa enciclopédia virtual, Wikipédia, contando um pouquinho de sua vida.

O que surpreende é ver a instantânea mudança de comportamento do público quando Susan abriu a boca. Isso mostra como a aparência é sempre julgada acima de tudo, e que há situações em que as pessoas sejam moralmente atingidas ao perceber que o externo não é tudo.

Depois do ápice de sua vida, a cantora ganhou status e fãs, que criaram um site oficial em sua homenagem. Creio que com ela muitos aprenderam que oportunidade nem sempre vem para todos, mas ao mesmo tempo essa febre de Susan  corre grande risco de acabar em anonimato novamente, já que é facilmente identificada a mudança de opinião e comportamento perante a casos novos e surpreendentes que muitas vezes não param de aparecer.

Susan Boyle tem uma grande concorrente agora, Hollie Steel, uma garotinha de 10 anos com uma voz arrebatadora. Ela é a nova sensação do reality show.

E agora?! Será que Susan será esquecida, e Hollie tomará seu lugar como uma surpreendente revelação musical? Até que ponto o talento de alguém deve ser medido por um programa de televisão? E qual a vantagem de participar de um reality show como esse para uma mulher como Susan Boyle?

 

Comunidade de Paraisópolis

Comunidade de Paraisópolis

 

por Bruna Chieco

 

Paraisópolis foi o assunto do momento no início deste ano. Após o conflito entre moradores e policiais, a comunidade foi retratada como protagonista de uma guerra civil. Desde então 341 policiais ocupam o local, 24 horas por dia, em um verdadeiro acampamento instalado.

Quem viu o conflito na televisão ficou com medo. Porém, pior ainda foi para quem presenciou. Moradores da favela realmente se apavoraram com a situação, sem saber ao certo qual como tudo iniciou. José Rolim, diretor da Associação de Moradores de Paraisópolis, diz que o caos teve início com uma ordem de presos. Independente disso, quem presenciou e passou perto da região no dia 2 de fevereiro, não esquece o que presenciou.

Agora a favela se encontra “controlada”, ou “protegida” por tropas militares. Quem se informa sobre o assunto através dos meios de comunicação acaba obtendo uma imagem distorcida da situação. O comportamento inicial da sociedade, incluindo os próprios moradores, é de achar que a presença da PM poderia causar mais conflitos, e ocasionar repressões.

Na realidade, quem vê de longe não sabe ao certo o que imaginar, ou que conclusões tirar sobre os fatos, mas ainda assim julga o local como perigoso e os moradores como criminosos, como em outra favela qualquer. Poucos possuem oportunidade de conhecer realmente o que é uma comunidade carente, o que é Paraisópolis, e como está sua situação atual.

 

Crianças brincam em frente ao acampamento da Polícia Militar em Paraisópolis

Crianças brincam em frente ao acampamento da Polícia Militar em Paraisópolis

A mídia mostra situações isoladas, que distorcem o que pode ser visto com os próprios olhos. Ações sociais são feitas no local, e tanto a polícia como os próprios moradores querem ver uma mudança na comunidade, no sentido de integração e educação. Conflitos como aquele que passou foi uma fatalidade, e o que se vê no local são olhares confusos, porém estáveis.

A sociedade costuma julgar e rotular aquilo que não conhece de perto. Isso é natural do ser humano. Porém, o comportamento preconceituoso acaba sendo comum em situações como essa, e a tendência é o isolamento cada vez maior de comunidades como de Paraisópolis, que precisam de um incentivo para o avanço.

Como acabar com essa rotulação que a mídia desenvolve? Você gostaria de conhecer Paraisópolis?

por Bruna Chieco

O Big Brother Brasil é um programa de grande repercussão e audiência, tão bem sucedido que já tem contrato com anunciantes até pelo menos 2012. O reality show atravessa o país com novidades a cada ano, e cada vez mais convida o telespectador a interferir, decidir e principalmente comentar sobre o programa.

“31 milhões de votantes e mais de 51% de audiência em noite de paredão repercutem, inegavelmente, no imaginário de um país, na estimulação de novas formas de subjetivação e nas conseqüências estéticas e políticas engendradas pelo formato.” (Ilana Feldman é mestre em Comunicação e Imagem pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, onde desenvolveu pesquisa sobre os aspectos estéticos e políticos dos reality shows).

Fica claro que a repercussão do BBB é grande. Diversos fatores podem chamar a atenção do público que há quase oito anos é fiel telespectador do programa. A possibilidade de ver a vida se pessoas confinadas, brigando, se trocando, comendo e “pagando micos” é como matar uma curiosidade mórbida do público; mas o mais interessante é a interação que ele tem com o show da vida. “Os milhões de expectadores foram apreendidos por uma força invisível, sendo apresentados ao show de suas próprias vidas. E agora com um diferencial: eles podem interferir, diretamente, no destino daquelas pessoas, seus heróis e vilões, tendo o poder de decidir quem é melhor, pior, quem merece vencer, ou perder.” (Amanda Gabrielly Régis de Freitas – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, RN).

Além disso, o suspense feito em cada programa, como quem vai ganhar a prova do líder ou quem será eliminado, é algo que prende a atenção dos telespectadores, causando discussões no dia posterior a exibição do fato. Abaixo segue um vídeo do suspense criado pelo apresentador Pedro Bial no paredão mais esperado do Big Brother Brasil 9 (Maximiliano x Ana Carolina).

                                  

De fato pessoas se atingem com os acontecimentos do programa. Gritos de comemoração foram ouvidos em uma rua do bairro de Moema após o anúncio da saída de Ana Carolina. Além disso, pessoas se comportam com intensidade e se atingem quando algo esperado ou inesperado acontece. Um exemplo é a comunidade do Orkut, que tem mais de um milhão de usuários cadastrados, além de já ter sido criada outra para o BBB10.

Comunidade do Big Brther Brasil 9 tem alta frequência

Comunidade do Big Brther Brasil 9 tem alta frequência

 

Já está no ar a comunidade do BBB10

Já está no ar a comunidade do BBB10

 

 Fora isso, discussões, ofensas e críticas são trocadas, levando o entretenimento pra vida real.

Discussões sobre a vitória de Max, na última edição do Big Brother Brasil, não cessam

Discussões sobre a vitória de Max, na última edição do Big Brother Brasil, não cessam

Para quem for cadastrado no Orkut, entre na comunidade do BBB9 para ver outras discussões.

No link abaixo tem o vídeo da final do Big Brother Brasil 9, mas o mais interessante é ver a repercussão nos comentários em baixo do vídeo. Com mais de cinco mil visualizações, o público continua falando sobre o resultado do programa dias após o término. Mais um fato que mostra como a mídia envolve o telespectador, despertando um comportamento totalmente envolvente com a televisão.

http://www.youtube.com/watch?v=zDCPIn42uho

Até que ponto você se envolve com os reality shows?

por Bruna Chieco

2008 - Uma menina jogada pela janela do sexto andar em março. Duas crianças são esquartejadas em setembro. Garota é seqüestrada e assassinada pelo ex-namorado em outubro.

Esses foram casos polêmicos de grande repercussão da mídia no ano passado. Todos conhecem Isabella Nardoni e Eloá Pimentel. O povo ficou tão comovido que foi até ao enterro. Acontecimentos como esses são alvo de grande exploração tanto pela mídia quanto pelo espectador.

Após o grande furor causado pelo caso Isabella, os meninos Igor Giovani, 12, e João Vítor, 13, foram esquartejados pelo pai e a madrasta em Ribeirão Pires. O assunto não teve tanta repercussão, mas é claro que isso choca tanto quanto a menina de nove anos que foi encontrada morta em uma mala na Rodoviária de Curitiba. O fato de Marina Garnero, 23, ser assassinada pelo ex-namorado na porta da academia onde trabalhava, ocorrido no início de 2009, é tão inaceitável quanto o caso Eloá.

Fica claro que a mídia dá diferentes focos para esses casos. Porém, um pode ficar banalizado por não ser “tão chocante” ou por ter menos visibilidade que o outro. Situações como essa que podem por em dúvida se é bom ou não dar grandes destaques a esses casos.

No caso Eloá, por exemplo, mais de 11 mil pessoas visitaram seu túmulo no dia do velório. Até que ponto isso mostra compaixão pelo caso, pela família e amigos? Será que não foi pura curiosidade de alguns?

11 mil pessoas passaram pelo velório de Eloá Pimentel

11 mil pessoas passaram pelo velório de Eloá Pimentel

O caso Isabella desencadeou inúmeras notícias de assassinatos de crianças pelos pais, mas nenhum comoveu tanto o público. A mídia banalizou o assunto, o fazendo ficar desimportante já que “a moda agora é matar o filho”.

Qual o real papel na mídia nesse momento? Casos que mostram dor e exploram mortes devem ser tratados como uma anomalia na sociedade, e o que a mídia faz e torná-los comuns. Inicialmente, o comportamento dos espectadores é chorar pelo luto dos parentes, é se revoltar e protestar. Mas depois passa, e o assunto fica perdido no ar.

A mídia está fazendo um bom papel? Qual o seu comportamento perante esses casos tão explorados pela imprensa?

 

por Bruna Chieco

A televisão sempre foi alvo de discussão e polêmica. Debates sobre manipulação e alienação existiram, e ainda exitem em cima dessa popular mídia. Entre os seus produtos consumidos, o mais tradicional é a telenovela.

Desde sua estréia na televisão, a novela gera polêmicas. Em 1951, a extinta TV Tupi trouxe ao ar  “Sua Vida me Pertence” de  Walter Foster. Além de ser uma novidade, o autor foi ousado a já chocar com um beijo entre os protagonistas na atração.

Mas o mais interessante não é apenas discutir essas polêmicas e ousadias trazidas pelas produções, mas sim como o público reage diante disso. Quem assiste e gosta, sabe tudo o que se passa, e é facilmente influenciado pelo que vê.

Por ser popular e aberta, é claro que novela dita tendências. Mas cabe ao público saber como e o que quer consumir. É até engraçado perceber que a novela muda o curso das situações.

Na moda, por exemplo, lojas e indústrias têxteis devem correr para ir atrás de roupas e tecidos que correspondam a demanada do público. Tudo porque “a novela das 8 mandou”. Atualmente isso é visto em Caminho das Índias, que deu um lucro de 50% nas vendas de lojistas que se adaptaram à tendência.

Juliana Paes como Maya em Caminho das Índias

Isso também foi visto em outras novelas. Meias coloridas de lurex com sandália de salto eram a sensação do momento em 1978, época que foi ao ar a novela Dancin Days. Outra tendência foram os panos e roupas sensuais usadas pelas moças de Marrocos, quando estreou O Clone.

Giovana Antonelli era a Jade de O Clone

Jade, interpretada por Giovana Antonelli 

 A busca por esses produtos são incessantes no período das novelas. Isso mostra o comportamento do público perante essas ficções e como o agrada ver culturas diferentes e novas, quando mostradas de forma luxuosa e bem produzida.

Não só roupas, mas cortes de cabelo também são adotados por quem é telespectador de carteirinha. Fora isso, podemos lembrar de frases que caíram na boca do povo, como o bordão “né brinquedo não”, da personagem Dona Jura de O Clone, ou ”na chom”, de Dona Armênia na novela Rainha da Sucata.

Tudo isso mostra que o público se comporta como fazendo parte daquilo que vê. A novela sobre a vida vira vida de novela para quem assiste. O comportamento é constante, porém mutável, pois a cada nova atração, uma nova tendência.

E você, segue tendências? Como se comporta perante a esse universo de cores e formas que a televisão nos mostra? 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.