por Nathalia Viana

Solteiras vão às ruas em busca de um companheiro

Solteiras vão às ruas em busca de um companheiro

Aconteceu hoje, sexta-feira 15, na Avenida Rio Branco no centro do Rio de Janeiro, a primeira edição do Movimento dos Sem-Namorados. O evento foi realizado pelo site de relacionamentos ParPerfeito e terá uma edição paulista, que ocorrerá no domingo (dia 17) no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.

O evento contou com homens e mulheres, mais mulheres do que homens, de todas as idades. Moradora de Copacabana, pensionista do pai, Áurea Flores. Entre 75 e 85 (ela não quis dizer a idade), revela que jamais teve um namorado. A mãe não deixava. Mas Áurea não perdeu as esperanças: “Em algum lugar eu vou ter que achar. Pode até ser aqui, quem sabe?”

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Claudio Gandelman, responsável pelo evento afirma que a ideia é reunir pessoas que talvez nunca se conhecessem por não frequentarem a mesma academia, balada, bar ou faculdade, por exemplo. “Todos vão encontrar pessoas que estão buscando a mesma coisa que eles”, explica.

Mas as mulheres não foram as únicas a se queixar da falta de um companheiro. Carlos Manoel Lira, 23. Auxiliar de escritório, tem como grande sonho casar e ter filhos. “As mulheres é que não querem nada. Eu ligo do dia seguinte, mas me dispensam. Elas são estranhas: se você não liga, reclamam. Se liga, é um chato”, diz ele.

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De acordo com a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas participaram do evento no Rio.

por Nathalia Viana

Em novembro do ano passado o presidente Luis Inácio Lula da Silva convidou o chefe de Estado iraniano Mahmoud Ahmadinejad para fazer sua primeira visita oficial ao Brasil. A visita deveria acontecer hoje, quarta feira, 6 de maio, no entanto, foi cancelada e deverá ocorrer após as eleições iranianas de 12 de junho.

O cancelamento ocorreu após uma série de manifestações contrárias a presença de Ahmadinejad no país, mas o Ministério de Relações Públicas brasileiro nega que o cancelamento tenha sido em consequência das reações negativas.

Foram vários tipos de manifestações. No dia 4 de maio, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas protestaram na praia de Ipanema, a maioria dos envolvidos era de judeus e homossexuais. Em São Paulo a comunidade judaica também se reuniu. As passeatas se iniciaram na semana anterior à data marcada para a recepção. Além das passeatas, foram distribuídos panfletos contrários à chegada do chefe de Estado contendo informações sobre questões polêmicas que o envolvem.

imagem do panfleto da campanha CONHEÇA A VERDADE, contra a visita de Ahmadinejad

imagem do panfleto da campanha CONHEÇA A VERDADE, contra a visita de Ahmadinejad

Ahmadinejad ficou conhecido por suas declarações homófobas e antissemitas. No Irã, homossexualismo é considerado crime e segundo ONGs de direitos humanos Boroumand Fondation, 107 pessoas já foram executadas desde a revolução islâmica por serem homossexuais. Em 24 de setembro de 2007, quando perguntado sobre o homossexualismo, Ahmadinejad alegou: “Nós não temos homossexuais no Irã”.

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Em outubro de 2005, teria afirmado publicamente que Israel é uma “mancha desgraçada” que deve ser apagada do mapa. Em dezembro do mesmo ano ele propôs a transferência  do país insultado para a Europa. Em abril deste ano, o chefe de Estado questionou o holocausto na Conferência contra o Racismo na ONU, além de acusar Israel de racismo, o que provocou a retirada de delegações ocidentais. O governo brasileiro só condenou o discurso na semana passada.

Para entender melhor o radicalismo muçulmano assista ao filme Obssession – Radical Islam’s War Against the West:

http://www.youtube.com/watch?v=X2D7_DPhDBo

http://www.youtube.com/watch?v=ij5jfmEhUHk&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=UCA8ldF0KzU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=_hFywMAn5k4&feature=related

E o que você acha sobre tudo isso? A cultura ocidental vê de forma absurda a crença e o radicalismo muçulmano. Ao mesmo tempo, os estudos sociais, a antropologia e a sociologia pregam que devemos enxergar com distanciamento de nossa própria cultura, a cultura do outro. É o conceito de alteridade. Mas até que ponto pode-se e deve-se fazer isso?

O que você acha? As manifestações são válidas e devemos nos opor à visita de um líder extremista? Ou isso seria julgar a ele e a todo um conjunto de valores pregado por uma cultura? Tentar afastar radicalistas de nosso país é um dever do cidadão brasileiro ou trata-se de outra forma de preconceito? Dê sua opinião!

por Nathalia Viana

Criados por Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito, os programas Chaves e Chapolin percorreram cerca de 90 países e foram traduzidos em mais de 25 línguas. Os seriados reuniram uma legião de fãs e fizeram sucesso entre os públicos de todas as idades.

A primeira exibição de “El Chavo del Ocho”, nome original de Chaves, foi no dia 20 de junho de 1971, no México. A principio, a criação do personagem foi direcionada a sketchs do programa Chespirito, transmitido pela TV TIM (Televisão Independente do México), no qual eram exibidos quadros de humor criados por Bolaños.

A história trata da vida de um garoto órfão, conhecido como Chavo, nome que na gíria Mexicana quer dizer garoto travesso, moleque. Toda a trama se desenrola em uma vila, onde se passam as aventuras do personagem principal.

Entre os anos 71 e 92, tempo da duração de gravação do seriado, foram filmados mais de mil capítulos, mas não se sabe ao certo quantos. Grande parte deles nunca chegou a ser exibida no Brasil e hoje o canal SBT possui apenas cerca de 137 episódios.

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O criador

Roberto Gómez Bolaños nasceu no dia 21 de fevereiro de 1929, na cidade do México. Filho de um pintor e ilustrador de diversos jornais de sua época, foi o retratista mexicano mais cotado do princípio do século XX. Formou-se em engenharia elétrica, mas não chegou a atuar na profissão e começou a se destacar na década de 50 como roteirista de cinema e de programas de rádio e televisão. O apelido Chespirito veio mais tarde, ganhou do diretor de cinema Agustín P. Delgado. A palavra é uma forma castelhanizada do vocábulo inglês Shakespeare e ele o ganhou por seus roteiros, que para o diretor eram dignos de comparação com as obras do dramaturgo e poeta inglês. Em sua autoria estão programas como Cômicos y Canciones e El estúdio de Pedro Vargas, que fizeram sucesso no México na época de sua transmissão.

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No final de 1968, Bolaños foi contratado pela TV TIM, e foi quando nasceu sua carreira de ator, que se consolidou em 1970, com o surgimento do seriado Chespiririto, composto por vários quadros humorísticos criados pelo roteirista. Chaves e Chapolin, foram criados para esse programa.

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Gómez Bolaños atuou, escreveu, dirigiu e produziu cinco filmes: El Chanfles (1978), El Chanfles II (1980), Don Raton y Don Rateiro (1983), Charrito (1985) e Musicas de Vienta (1989). Participou também de peças de teatro, a de maior sucesso, 11 y 12, de 1992, que ficou por oito anos em cartaz.

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Roberto Gómez Bolaños casou-se no dia 19 de novembro de 2004 com Florinda Meza, atriz que interpretava a personagem de Dona Florinda no Chaves. Antes do casamento, os atores se mantiveram juntos por 25 anos, e quando casaram-se, Roberto já tinha 75 anos. Hoje vive com a esposa no México e tem seis filhos de seu primeiro casamento. 

 

El Chavo Del Ocho

O programa foi criado depois dos personagens Chavo e El Chapulín Colorado. Como dito antes, foram personagens criados para quadros do programa Chespirito de Roberto Gómez Bolaños. Os personagens fizeram tanto sucesso que a emissora decidiu dar-lhes características de seriado, com um dia fixo de exibição para cada um. No início, as características do programa não eram bem definidas, o personagem de Seu Madruga morava na casa que depois se tornou de Dona Florinda e era um vendedor de balões; o Sr. Barriga não era dono da vila, e sim seu zelador e Dona Florinda não usava seus bóbis.

O programa logo chamou a atenção do público mexicano, e dois anos após seu surgimento, já era exibido com sucesso em quase todos os países da América Latina.

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Em 1974, Maria Antonieta de las Nieves, atriz que interpretava a personagem Chiquinha se ausentou do programa por estar grávida, retornando um ano depois. A personagem saía de cena para visitar suas tias no interior e surgia uma espécie de substituta para o papel, a personagem Malicha, sobrinha de Seu Madruga. No mesmo ano iniciam-se as aulas na escola do Professor Girafales.

Alguns anos depois, em 1978, o ator Carlos Villagrán, intérprete de Quico, abandona o programa para estrelar um seriado na Venezuela. Os últimos episódios que contam com sua participação foram gravados em Acapulco e a música Boa Noite Vizinhança” é cantada para se despedir do ator. Alguns meses depois, Ramón Valdez, o Seu Madruga, é convidado a participar do mesmo programa, mas retorna em 1981. Durante a ausência dos personagens surge o restaurante de Dona Florinda e mais dois personagens, Jaiminho, o carteiro e Dona Neves, bisavó de Chiquinha.

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Finalmente, em 1983 o programa chega ao fim sem que haja se quer a gravação de um episódio especial. Mas os personagens não deixaram de marcar presença nas telinhas, continuaram sendo exibidos no programa de Chespirito, novamente como sketchs até 1992 e foram exibidos no Brasil no SBT como O Clube do Chaves.

 

Curiosidades

  • No início do humorístico, Roberto Gómez Bolaños precisou economizar no orçamento do programa, já que a emissora não arcava com os gastos. O cenário era todo de papelão e isopor, o que por fim, deixou o seriado ainda mais engraçado.
  • No Brasil, A Turma do Chaves chegou a ser exibido em horário nobre durante quatro meses, às 21 horas no SBT.
  • Chaves estreou no Brasil no programa do Bozo, no SBT, em 1984, e o primeiro episódio exibido foi “Caçando Lagartixas”. Apenas 13 episódios haviam sido comprados e com o seu sucesso, foram comprados novos lotes em 1986, 1988 e 1991.
  • Bolaños revelou em uma entrevista a um canal brasileiro que o choro do personagem Chaves, uma de suas marcas, foi inspirado em um de seus filhos, que quando criança chorava de forma semelhante ao famoso “pi pi pi pi”.
  • A personagem Pópis, interpretada por Florinda Meza, era fanha quando foi criada, no entanto, isso mudou na versão mexicana, quando um pai se queixou a Chespirito de que seu filho havia se tornado motivo de piadas, associadas à personagem, entre os colegas por ser fanho. A dublagem em português manteve a característica inicial de Pópis.
  • Tangamandápio, cidade onde nasceu o personagem do carteiro Jaiminho, trata-se de um vilarejo que existe de fato e localiza-se na cidade de Cuemavaca, no México.
  • Em entrevista à emissora Rede TV!, em 1999, Chespirito relatou que o jogador de futebol Pelé tinha interesse em levar o programa do Chaves ao cinema. O convite teria sido feito pelo telefone e foi recusado.
  • O desenho animado Os Simpsons possui um personagem inspirado no Chapolin Colorado, seu nome na versão brasileiro do desenho é “Homem-Abelha”.

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  • Nos episódios da escolinha do Professor Girafales, há uma personagem que falou apenas sete palavras durante toda a história do programa, seu nome é Iara. Além dela, há mais seis personagens na escola que nunca foram chamados. Três deles possuem nomes: Higino, Elisabete e Verônica.

Veja outras curiosidades: http://www.viladochaves.com/curiosidades.htm

 O sucesso

            Mas por que  o programa foi tão bem sucedido? Mesmo com efeitos especiais que podem ser considerados toscos e a constante repetição de episódios, o programa se tornou popular em diversos países e no Brasil fez sucesso imensurável entre todas as idades, e ainda faz. O programa já percorreu 90 países e ainda é exibido em 38.

            Uma das razões apontadas para o fato, é a combinação de personagens e tramas que caracterizam a realidade constantemente vivida pela maior parte da população dos países da América Latina, de uma maneira cômica. O programa seria uma caricatura das famílias de classe baixa desses países. Chaves é órfão, pobre, vive em um barril e não tem dinheiro para se alimentar, Seu Madruga é desempregado, mau-humorado e deve 14 meses de aluguel ao Sr. Barriga, mas não faz o menor esforço para pagá-lo ou conseguir um emprego. Nos programas da escolinha, o tema abordado é o sistema educacional, que é limitado. Todas essas características são comuns ao povo latino americano, e essa realidade tão próxima tratada de maneira bem-humorado garante o sucesso ao programa.

            Essa não é a formulada apenas desse programa. O desenho animado de mais de 20 anos de existência, Os Simpsons, também utiliza o recurso da caricatura, mas nesse caso, da classe média americana.

Na sua opinião, qual é o motivo do sucesso do Chaves? Chaves também é cultura ou apenas entretenimento? Dê sua opinião!

por Nathalia Viana

Até meados dos anos 50 nos Estados Unidos, principalmente nos estados do sul do país, a população negra era castigada pela constante discriminação racial. No início da década de 60, um homem inicia protestos pacíficos por várias cidades americanas e após a mais famosa de suas manifestações, é promulgada a Lei dos Direitos Civis americana, de 1964, que proíbe a segregação racial. Martin Luther King recebeu um Prêmio Nobel da Paz naquele ano por seu empenho na luta contra o racismo, e passou a ser visto como herói, especialmente após ser assassinado. Suas palavras ainda não foram esquecidas.

Quarenta anos após sua morte, o mundo assiste a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. No dia 4 de novembro de 2008 Barack Hussein Obama, 47, se torna o 44º presidente do país, eleito com 62% dos votos. Sua conquista é comemorada pelo mundo todo e o presidente foi inúmeras vezes comparado ao famoso manifestante já falecido.

A carreira de Obama seria a materialização do sonho de King para Erwin Hargrove, especialista em ciências políticas da Universidade Vanderbilt, no Tennesse, como afirmou para a agência de notícias Efe. O cientista não é o único a sustentar esse pensamento. Conrad Fink, professor da Universidade de Geórgia e ex-vice-presidente da agência de notícias Associated Press, acredita que Obama seja fruto do legado de King e sem ele, o político não estaria onde está, já que foi ele quem “abriu um futuro completamente distinto para os negros norte-americanos”.

População norte-americana acredita que Obama está realizando o sonho de King

População norte-americana acredita que Obama está realizando o sonho de King

Com a promessa de mudar a administração do país, a campanha de Obama foi gigantesca e seu tema “Yes we can” teve enorme aceitação entre os americanos, assim como entre aqueles que acompanharam o processo eleitoral por todo o mundo. A essência de sua campanha foi a idéia de que há a possibilidade de mudança para questões raciais, econômicas e políticas no país. Além de representar o idealismo racial, o candidato sempre afirmou ser contra a ocupação americana no Iraque, e pregou a possibilidade de curar a nação e abandonar a política opressiva atual, mudando a postura com relação às guerras e questões ambientais. Sua campanha foi conduzida pelo ex-repórter político do jornal The Chicago Tribune, David Axelrod.

Filho de um homem negro nascido no Quênia e formado em economia em Harvard, e uma americana branca, Barack Hussein Obama nasceu na ilha de Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961. É protestante, descendente de mulçumano e suas origens não são convencionais. Os pais se separaram quando tinha ainda dois anos e ele chegou a morar na Indonésia com a mãe e o padrasto.

Sua adolescência foi marcada por um ótimo currículo escolar, mas também por algumas contravenções, como quando experimentou maconha e cocaína, de acordo com sua biografia “Dreams from my Father: A Story of Race and Inheritance”.

Se formou em direito na Universidade Harvard, onde conheceu sua esposa Michelle, com quem é casado há 16 anos e possui duas filhas. Trabalhou como professor e defensor dos direitos civis em Chicago. Em 1996 foi eleito para o Senado Estadual de Illinois. Apesar de já estar inserido no cenário político, Obama não era um candidato conhecido nos Estados Unidos. No início de sua campanha, o candidato brincava que o povo nem mesmo se lembrava de seu nome, hoje possui mais de 600 mil seguidores no portal de relacionamento Twitter, um grupo no Facebook com cerca de 2,3 milhões de membros e um canal próprio no Youtube com 169.125 inscritos.

 

Barack Obama durante sua infância

Barack Obama durante sua infância

No último dia 02, Obama afirmou em Londres que Lula era o candidato mais popular do mundo: “Esse é o cara! Adoro esse cara. Ele é o político mais popular da Terra. É porque ele é boa pinta.” afirmou com bom-humor ao primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd antes da reunião do G20, no Excel Center. O presidente brasileiro já havia elogiado publicamente o presidente norte-americano. “Não é pouca coisa que os Estados Unidos tenham eleito um negro como presidente da República. Como também não foi pouca coisa que tenha sido eleito um torneiro matalúrgico no Brasil, um índio na Bolívia e um bispo católico no Paraguai”, declarou Lula no dia 11 de novembro do ano passado, poucos dias após a eleição de Obama, durante uma mesa redonda com sindicalistas italianos em Roma. “A eleição Obama foi uma das conseqüências da crise. Inteligente como é, ele sabe que, se a crise não for resolvida, isso será responsabilidade dele”, acrescentou.

A jornada de Obama foi acompanhada de perto por todo o mundo. O impacto da campanha para os americanos foi gigantesco e ele alcançou um nível de popularidade impressionante. Lula, foi outro político que conquistou a simpatia de seu povo e mobilizou de forma surpreendente seu país durante sua campanha. O responsável por ela foi Duda Mendonça. A imagem de Lula ficou diferente, menos agressiva do que em suas primeiras tentativas de alcançar o Governo brasileiro, dessa maneira, o candidato se mostrou mais carismático e adquiriu a confiança dos brasileiros. Hoje, seu nível de aprovação é superior a 84%, número superior ao apurado em 2003, quando ele assumiu a presidência.

por Nathalia Viana

Grovers Hill, New Jersey, EUA, 30 de outubro de 1938. Pela estação de radio CBS ouve-se: a Terra está sendo invadida por marcianos! Explosões em Marte liberaram supostos meteoritos que atingiram o nosso planeta; tratava-se na realidade de uma invasão alienígena. Extraterrestres com raios de calor vaporizavam nossas defesas enquanto sete mil homens marchavam contra uma máquina marciana. Poucas centenas sobreviveram à sangrenta batalha de Grovers Hill.

Foi o que ouviram cerca de seis milhões de pessoas, às oito horas daquela noite, quando sintonizaram seus aparelhos de rádio e receberam a transmissão da 17° transmissão do programa semanal “The Mercury Theatre on the air” de Orson Welles. O programa realizava dramatizações e adaptações radiofônicas.

Orson Welles já demonstrava seu potencial no rádio, antes de iniciar sua carreira no cinema

Orson Welles já demonstrava seu potencial no rádio, antes de iniciar sua carreira no cinema

Tudo não passou de uma brincadeira de Halloween. A transmissão especial em comemoração à data utilizou uma peça radiofônica de Howard Koch, que contou com a colaboração de Paul Stewart. A peça foi baseada na obra “The War of the Worlds” de H. G. Wells (1866-1946) e foi reescrita por Welles para a dramatização de seu programa. Além de escrever o script do programa, Orson Welles também produziu e atuou, representando o papel de um professor da Universidade de Princeton que liderava a resistência a invasão.

Para atribuir maior veracidade à história, Welles misturou elementos do radioteatro, de atuação e características dos noticiários da época, como reportagens externas, entrevistas com testemunhas, opiniões de especialistas e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, emotividade, tudo para que parecesse real. Ele obteve tamanho êxito que inúmeros ouvintes que se sintonizaram após o aviso inicial de que tudo não passava de uma dramatização, acreditaram que a Terra estava, de fato, sendo invadida.

Na época, a CBS calculou que aproximadamente seis milhões de pessoas puderam ouvir a transmissão, delas, pelo menos metade não ouviram a introdução que avisava que tudo se tratava do programa semanal. No mínimo 1,2 milhões de pessoas acreditaram que a invasão estava acontecendo e meio milhão delas foram tomadas por pânico. Houve realmente sobrecarga das linhas telefônicas e paralisação das redes de comunicação, congestionamentos e aglomeração nas ruas.

Foram registrados diversos casos de habitantes desesperados que tentavam fugir, se esconder, ou até mesmo lutar contra os extraterrestres. Alguns afirmaram poder ver a fumaça dos campos de batalha. Houve todo tipo de reação, inclusive quem enrolasse toalhas molhadas em volta da cabeça para tentar se proteger do gás venenoso que os marcianos estariam propagando em nossa atmosfera. O medo paralisou totalmente três cidades próximas à região que estaria sofrendo o ataque. Tentaram punir Welles, e houve quem quisesse que fossem criadas leis para que aquilo não se repetisse. Afirmaram que ele teria gritado fogo em um teatro lotado.

Aquela transmissão alterou a forma como se via o rádio e levantou várias questões relacionadas à comunicação, psicologia, credulidade e cultura. O regime nazista já utilizava esse veículo, mas a partir daí notou-se que o rádio podia atingir o público de maneira poderosa sem que houvesse uma ideologia por trás dele. Percebeu-se a necessidade da realização de estudos de audiência e recepção e do poder do rádio na formação da opinião pública, além de levantar questões como a possibilidade de manipulação, responsabilidade do comunicador sobre suas transmissões e o sensacionalismo. Orson Welles não inovou apenas nesse episódio, ficou conhecido também pela direção e atuação posterior no filme “Cidadão Kane”, que conta a história de um famoso e rico jornalista marrom americano. Sua ousadia custou sua carreira, que se encerrou após o filme, no entanto, ficou conhecido por inovar em estilo, técnicas de filmagem e narrativa.

O programa teve início após as previsões meteorológicas. Após algumas músicas, uma interrupção: “A CBS interrompe sua programação para anunciar aos ouvintes que um meteoro de grandes dimensões caiu em Grovers Hill, no Estado de Nova Jersey, a algumas milhas de Nova York”. Outra interrupção trouxe uma entrevista com um professor de meteorologia sobre a origem do meteoro. Em seguida um repórter, e com o passar do programa testemunhas foram entrevistas, especialistas consultados, externas realizadas e a batalha foi narrada como se realmente estivesse ocorrendo. Enquanto isso Welles estava na Flórida tomando whisky com amigos e sem imaginar as conseqüências de sua brincadeira. Após 40 minutos a primeira parte do programa foi encerrada e só então as pessoas tomaram consciência de que se tratava apenas de um programa. A transmissão foi encerrada com a seguinte declaração de Welles: “…Nós não podíamos ensaboar suas janelas e roubar os portões de seus jardins até o amanhecer, então fizemos o melhor que podíamos. Aniquilamos o mundo diante de seus ouvidos e destruímos a CBS. Mas vocês ficarão aliviados ao saber que tudo não passou de um entretenimento de fim-de-semana. Tanto o mundo como a CBS continuam funcionando bem. Adeus e lembrem-se, pelo menos até amanhã, da terrível lição que aprenderam hoje à noite: aquele ser inquieto, sorridente e luminoso que invadiu sua sala de estar, é um representante do mundo das abóboras e, se a campainha de sua porta tocar e ninguém estiver lá, não era um marciano… é Halloween!”

E nos dias de hoje? Os veículos de massa ainda têm esse poder? Será que ainda acreditamos em tudo que vemos e ouvimos nos meios de comunicação?

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